segunda-feira, 21 de julho de 2014

Inteligência - parte II

Às vezes não entendo como o mundo pode ser irônico.
Irônico a ponto de criar um sentido para sua própria ironia.
Irônico a ponto de definir-se inteiramente a sua vontade.

Como pode um ser se sentir sujo quando pratica o mais belo amor
E se sentir limpo quando brinca com a mais suja lama?
Como pode um homem não aceitar o que acontece na vida alheia
E ao mesmo tempo defender impetuosamente a sua?
Como pode uma critura ser tão mesquinha a ponto de querer, poder e conseguir o mais intenso dos prazeres, na mais repulsiva sujeira e, ao mesmo tempo, marcar e defender seu território contra o que é belo?
Por que não abrir os olhos?
Por que não se livrar de toda essa angústia inamparada de uma vez por todas?
Por que ter a necessidade de criar um motivo, mesmo que banal, para se defender ou se sentir igual a todos os que não prestam?

Não entendo.
Não se entende.

Foi-se o tempo em que a moral não era relevante para a prática da vida.
Talvez fosse mais fácil viver em tempos de disfarces.
Nesses, assim, a regra era dada e todos simplesmente tinham de seguí-la.
Não precisava ser intolerante.
Era natural.

A rebeldia, no entanto, não se mostra agora necessária.
Seja como for, sempre poderemos recorrer aos primeiros raios de sol da manhã
Logo após sentirmos o mais doce aroma de café fresco.
Essa sim é a dádiva divina.

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