sábado, 19 de julho de 2014

Poder - parte I

Todo poder que tenho não passa apenas de um começo.
Uma nova era guardada para si e para todos.
O trabalho de um homem que varre as míseras mechas do mar da vida e da morte.
O som do silêncio, capaz de enlouquecer até mesmo os mais profundos surdos e os mais corajosos mudos.

Toda lembrança que crio é uma simples loucura nos pés da humanidade.
Um insulto gritante às regras da sociedade.
Um desejar profundo, tão profundo que não é possível contar com os próprios dedos.
Uma memória.
Um fragmento.
Um sorriso.
Uma brisa.

Mas de que adianta ter que fugir das rédeas sangrentas do destino, se não há quaisquer ordens restantes a seguir?
De que adianta ter que procurar o que resta, se ainda não houve começo?

O que digo, caros colegas, é que a solidão intensa, a ingratidão obscura e a saudade eterna podem nos levar a um bosque de loucuras infinitas, presas na caixa do tempo e do espaço.
Ou, simplesmente, à morte. 

Por isso, todo poder que tenho não passa, inevitavelmente, de uma simples e eterna lembrança.

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