domingo, 10 de agosto de 2014

Infância - parte I: pequenas Lembranças

Queria ter uma família normal.
Por normal, digo aquela que cansava de ver nos desenhos animados quando me deitava para dormir, logo após o jantar ou quando ligava a televisão após acordar tranquilamente cedo, mas belas manhãs de sábado.
Queria um pai centralizado, uma mãe completamente amorosa, uma irmã indefesa, um cachorro brincalhão.

Queria ser um super-herói ocultado, um agente secreto disfarçado, um cientista dotado, um ser muito bem falado.
Queria uma amizade verdadeira, um jogo sapeca, uma aprendizagem que durasse para a vida inteira, carrinhos ou bonecas.
Queria viver eternamente no mundo mágico que criava a cada dia, vencer o mal com um sorriso apertado, partir para uma aventura que não tardia, deitar sob um céu estrelado.

Queria sentir o horizonte sob os últimos raios de sol, estar em todos os lugares, observar o distante farol, navegar em todos os mares.

Mas dentre esses sonhos, vivi a vida. Despertada de um longo sonho e (des)provida de aventuras. Uma linha. Um círculo. Uma continuidade, sob a sombra do infinito e a luz do nada.

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