segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Amor e Peixes

Hoje, vou lhes contar uma história.
Mas não é uma história como todos conhecem, com início, meio, final, personagens, lugares, enredo e ações. É uma história tão construtiva que muitos vão olhar, em uma bela noite de domingo, e dizer que isso que lhes escrevo jamais poderia ser uma história.

Ah, o amor.

"O amor não existe", ele disse. De fato, não existe, assim como os peixes. Peixes só existem se todos nós, seres que possuem crânio, formos também peixes. Fora isso, não existem. Simples assim.

Tanto o amor quanto os peixes são criações nossas. São frutos da nossa mente vazia e tão complexa que nos torna incapazes de entendê-la. São memórias, palavras, conceitos, associações, sinapses. Nada disso existe na natureza sob a forma que vemos ou definimos. Constituem imagens que criamos, frutos de nossas infinitas sinapses. Como uma base, necessária ao extremo para preencher ideias supostamente vazias.

No entanto, o peixe e o amor estão ali. Têm suas formas, suas ações, seus estragos e suas influências. Tem até vida própria, dependendo de qual ponto de vista melhor se adapta. Vivem. São criações da natureza como qualquer outra coisa que existe. Como não reconhecer essa existência? Com negar tudo isso de uma só vez?

A principal diferença, contudo, entre os peixes e o amor é que no grau de desventuras que cada um deles pode trazer para a humanidade. Sendo quase consenso, segundo um congresso inter-racial de ideias e conceitos, que o amor nos causa mais desventuras do que um peixe pode causar. Quem mata por um peixe? Quem sofre por um peixe? Quem chora somente por um peixe? Quem da a vida por um peixe?

O peixe vive, geralmente, a vida exclusiva e aquática dele e segue apenas seus instintos. Come sua comida, capta seu oxigênio, reproduz-se e morre. 

O amor, por sua vez, está ali para nos fazer piores do que já nos somos, embora ainda dependa do ponto de vista original.

E fim da história.

Nenhum comentário:

Postar um comentário