quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Prisioneiro

Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 2007
Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 2013
Rio de Janeiro, 5 de agosto de 2015

Prezados,

Sinto-me como se estivesse infinitamente preso em uma fortaleza. O condominio é a montanha. O apartamento é o castelo. Meu quarto é minha prisão e minha cama é minha cela.

A rua é o principal lugar errante, palco de diversas perdas vitais e (i)morais, onde tudo de bárbaro e agonizante em uma épica história pode acontecer. Os ruazeiros são os vilões, carregando em seus bolsos tudo aquilo que possa sugar para sempre a felicidade alheia, sem deixar qualquer vestígio a ser aproveitado.

Todo dia, uma carruagem me leva e me busca na aldeia, de forma que eu possa fazer meus afazeres, fingindo alegria para o povo, fingindo estar tudo bem.

Quero ir para casa.

Mas aqui é minha casa. Por mais de duas décadas serviu como lar, como refúgio, como alívio nas situações bruscas vividas há milhas daqui. Mas ninguém me disse o que fazer quando tais situações chegam e se prendem a este lugar. Ninguém me disse o que fazer quando os pesadelos, os infernos e as profundas escuridões pairam por aqui e por aqui permanecem pairadas por um tempo literalmente indeterminado.

Senhor? Senhora? Vossa Excelência? Natureza? Alguém a me dar dicas?

Atenciosamente na espera,
TK

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